Introdução

Dentro do nosso corpo há um impressionante mecanismo de proteção, chamado sistema imunológico. Ele foi elaborado para defendê-lo de milhões de bactérias, micróbios, vírus, toxinas e parasitas que adorariam invadir nosso corpo. Para compreender o poder do sistema imunológico, tudo o que você precisa fazer é olhar o que acontece quando qualquer coisa morre. Isso pode parecer grosseiro, mas mostra algo muito importante sobre o seu sistema imunológico.

Quando alguma coisa morre, nosso sistema imunológico (junto com todo o resto) é desativado. Em uma questão de horas, o corpo é invadido por todo tipo de bactérias, micróbios, parasitas… Nenhuma dessas coisas é capaz de entrar quando o sistema imunológico está funcionando, mas no momento em que ele pára a porta fica escancarada. Quando morremos, leva apenas algumas semanas para que esses organismos destruam completamente nosso corpo e o levem embora, ficando apenas o esqueleto. Obviamente, o sistema imunológico está fazendo algo impressionante para impedir que toda essa destruição aconteça – enquanto estamos vivos.

Sistema imunológico

O sistema imunológico é complexo, conexo e interessante. E há pelo menos duas boas razões para você saber mais sobre ele. Primeiro, é simplesmente fascinante compreender de onde vêm coisas como febre, urticária, inflamação etc. Você também escuta bastante sobre o sistema imunológico nos noticiários à medida que novas partes dele são compreendidas e novas drogas são lançadas – saber sobre o sistema imunológico torna essas notícias compreensíveis. Neste artigo, vamos dar uma olhada em como o sistema imunológico funciona de modo que possamos entender o que ele está fazendo por nós a cada dia, assim como o que ele não está fazendo.

Sistema imunológico

O sistema imunológico funciona 24 horas por dia e age de modos diferentes, porém trabalha quase sem ser notado. Só notamos nosso sistema imunológico quando ele falha por alguma razão ou, quando ele faz alguma coisa que produz um efeito colateral que podemos ver ou sentir. Aqui estão vários exemplos:

  • quando você se corta, vários tipos de bactérias e vírus entram no seu corpo através da abertura na pele. Quando entra uma farpa na sua pele você fica com a lasca de madeira, que é um corpo estranho, dentro do seu corpo. Seu sistema imunológico responde e elimina os invasores enquanto a pele cicatriza e sela o corte. Em casos raros o sistema imunológico falha e o corte infecciona. Ele inflama e fica cheio de pus. A inflamação e o pus são efeitos colaterais do sistema imunológico fazendo o seu trabalho;
  • quando um mosquito pica você, o local fica inchado, vermelho e coçando. Esse também é um sinal visível do seu sistema imunológico trabalhando;
  • todo os dias você inala milhares de germes (bactérias e vírus) que estão flutuando no ar. Seu sistema imunológico lida com todos eles sem problemas. Ocasionalmente, um germe passa pelo sistema imunológico e você pode pegar um resfriado, ficar gripado ou algo pior. São sinais visíveis de que o seu sistema imunológico não conseguiu deter o germe. O fato de você sarar do resfriado ou gripe é outro sinal visível, agora, de que seu sistema imunológico foi capaz de eliminar o invasor depois de tomar conhecimento dele. Se o seu sistema imunológico não fizesse nada, você jamais conseguiria se ver livre de um resfriado ou de outro problema;
  • todos os dias você come centenas de germes e, mais uma vez, a maioria deles morre na saliva ou nos ácidos do estômago. Ocasionalmente, um escapa e causa intoxicação alimentar. Há, normalmente, um efeito bastante visível dessa falha do sistema imunológico: vômito e diarréia são dois dos sintomas mais comuns;

    Imagem cedida pelo Instituto Nacional de Alergias e Doenças Contagiosas
    Uma célula imunológica passando por uma reação alérgica
  • há também muitos tipos de doenças que são causadas pelo sistema imunológico trabalhando de modo inesperado ou incorreto, causando problemas. Por exemplo, algumas pessoas têm alergias. Alergias são, na verdade, o sistema imunológico reagindo de forma exagerada a certos estímulos aos quais as outras pessoas nem reagem. Algumas pessoas têm diabetes, que é causada pelo ataque inapropriado do sistema imunológico às células do pâncreas, destruindo-as. Algumas pessoas têm artrite reumatóide, que é causada pelo sistema imunológico quando este ataca inapropriadamente as articulações. Muitas doenças são causadas por um erro do sistema imunológico;
  • finalmente, às vezes, lembramos do sistema imunológico porque ele nos impede de fazer coisas que poderiam ser benéficas. Por exemplo, os transplantes de órgãos são muito mais difíceis do que deveriam ser porque o sistema imunológico geralmente rejeita o órgão transplantado.

Noções básicas do sistema imunológico

O que significa quando alguém diz “não estou me sentindo bem hoje”? O que é uma doença? Compreendendo os diferentes tipos de doença é possível saber quais delas o sistema imunológico ajuda a combater.

Quando você “fica doente”, o corpo não é capaz de funcionar da mesma forma que funciona normalmente. Existem diversos modos de ficar doente, alguns deles são:

  • lesão mecânica – quando um osso quebra ou um ligamento rompe, você fica “doente” (seu corpo não é capaz de desempenhar todo o seu potencial). A causa do problema é algo fácil de compreender e é visível.
  • deficiência de vitaminas ou minerais – quando o seu corpo não obtém vitamina D suficiente, ele não é capaz de metabolizar cálcio da maneira correta e você fica com uma doença chamada raquitismo. Pessoas com raquitismo têm ossos fracos e deformidades porque eles não crescem apropriadamente. A falta de vitamina C provoca o escorbuto, que causa inchaço e sangramento das gengivas, edema das articulações e ferimentos. A falta de ferro leva à anemia, e assim por diante.
  • lesão dos órgãos – em alguns casos, um órgão fica lesado ou enfraquecido. Por exemplo, uma forma de “doença cardíaca” é causada pela obstrução dos vasos condutores de sangue que vão para o músculo cardíaco, de modo que o coração não recebe sangue suficiente. A cirrose é causada pelo dano às células do fígado (uma das causas é o consumo excessivo de álcool).
  • doença genética – uma doença genética é causada por um erro na codificação do DNA, fazendo com que certas proteínas sejam produzidas em excesso ou menos do que o necessário, e isso causa problemas celulares. Um exemplo de problema genético é o albinismo, que é causado pela falta de uma enzima chamada tirosinase. A falta dessa enzima faz com que o corpo não produza melanina, o pigmento natural que dá cor aos cabelos, olhos e o bronzeado. Devido à falta de melanina, pessoas com esse problema genético são extremamente sensíveis aos raios UV da luz solar.
  • câncer – ocasionalmente uma célula se modifica de uma maneira que faz com que se reproduza descontroladamente. Quando as células chamadas melanócitos, na pele, são lesadas pela radiação ultravioleta, elas se modificam de um modo característico transformando-se em uma forma cancerosa de célula. O câncer que aparece como tumor na pele é chamado de melanoma (veja Como funciona o bronzeado e a queimadura de Sol para mais informações).

Infecção viral ou bacteriana

Quando um vírus ou bactéria (conhecidos genericamente como germes) invade o seu corpo e se reproduz, normalmente causa problemas. Geralmente, a presença do germe produz algum efeito colateral que faz com que você fique doente. Por exemplo, as bactérias estreptocócicas (Streptococcus) liberam uma toxina que causa a inflamação da sua garganta. O vírus da pólio libera toxinas que destróem as células nervosas (geralmente levando à paralisia). Algumas bactérias são benignas ou benéficas (por exemplo, todos nós temos milhões de bactérias no intestino e elas ajudam a digerir a comida), mas muitas são perigosas quando entram no corpo ou na corrente sangüínea.

As infecções virais e bacterianas são, de longe, a causa mais comum de enfermidade para a maioria das pessoas. Elas causam doenças como resfriados, gripe, sarampo, caxumba, malária, AIDS, etc.


Imagem cedida pelo National Institute of Allergy and Infectious Diseases
Desenvolvimento do HIV, vírus causador da AIDS, em uma célula imunológica humana

A tarefa do sistema imunológico é proteger o corpo de infecções. Sua ação ocorre de 3 maneiras diferentes:

  1. O sistema imune cria uma barreira que impede que as bactérias e vírus entrem no seu corpo.
  2. Se uma bactéria ou vírus entra no corpo, o sistema imunológico tenta detectá-lo e eliminá-lo antes que se aloje e se reproduza.
  3. Se um vírus ou bactéria se reproduz e começa a causar problemas, seu sistema imunológico é responsável por eliminá-lo.

O sistema imunológico é responsável por outras tarefas importantes. Ele pode detectar o câncer nos estágios iniciais e, em muitos casos, eliminá-lo.

Bactérias e vírus

Seu corpo é um organismo multicelular composto talvez de 100 trilhões de células. As células no seu corpo são aparelhos relativamente complicados. Cada uma tem um núcleo, um equipamento de produção de energia etc. As bactérias são organismos muito mais simples, com apenas uma célula e sem núcleo. Elas têm, talvez, um centésimo do tamanho de uma célula humana e podem ter 1 micrômetro de comprimento. As bactérias são completamente independentes, capazes de comer e se reproduzir – são como peixes nadando no oceano do seu corpo. Em condições ideais, as bactérias se reproduzem bem rapidamente: uma vez que a cada 20 ou 30 minutos uma bactéria se divide em 2; nessa velocidade, uma bactéria pode se transformar em milhões em apenas poucas horas.

O vírus pertence a uma linhagem totalmente diferente. Ele não é considerado vivo, ou seja, uma partícula viral nada mais é do que um fragmento de DNA dentro de uma cápsula protetora. O vírus entra em contato com a célula, se liga à parede celular e injeta seu DNA (e talvez algumas enzimas) dentro dela. O DNA usa o mecanismo que há dentro da célula viva para reproduzir novas partículas virais. Finalmente, a célula que foi invadida morre e se rompe, liberando as novas partículas de vírus; ou as partículas virais desenvolvem-se e são liberadas em forma de vesículas ou brotos; neste caso, é muito provável que a célula continue viva. Nos dois casos, a célula é uma fábrica de vírus.

Componentes do sistema imunológico

Uma das coisas engraçadas sobre o sistema imunológico é que ele passa a vida inteira trabalhando, porém, pouco sabemos a seu respeito. Dentro do seu tórax existe um órgão chamado “coração”. Quem não sabe que tem um coração? Também temos pulmões, um fígado e rins. Mas, você já ouviu alguma vez falar sobre o timo? Há uma boa chance de você nem mesmo saber que tem um timo, e contudo, ele está aí dentro do seu tórax, perto do coração. Existem outras partes do sistema imunológico que são igualmente obscuras, portanto, vamos começar aprendendo sobre cada uma delas.

A parte mais óbvia do sistema imunológico é a que você pode ver. Por exemplo, a pele é uma parte importante do sistema imunológico. Age como fronteira primária entre os germes e o seu corpo. Uma parte da função da sua pele é agir como barreira, de um modo bem parecido com a maneira que envolvemos a comida com plástico para protegê-la. A pele é resistente e, geralmente, impermeável a bactérias e vírus. A epiderme contém células especiais chamadas de células de Langerhans (misturadas com os melanócitos na camada basal) que são componentes importantes para alertar o sistema imunológico. A pele também secreta substâncias antibacterianas. Essas substâncias explicam o porquê você não acorda de manhã com uma camada de fungo sobre a pele: a maioria das bactérias e esporos que aterrisam ali morrem rapidamente.

O nariz, a boca e os olhos são também pontos de entrada óbvios para os germes. As lágrimas e o muco contêm uma enzima (lisozima) que destrói a parede celular de muitas bactérias. A saliva também é antibacteriana. Como as vias nasais e os pulmões são revestidos de muco, muitos germes que não são mortos imediatamente ficam presos no muco e logo são engolidos. Os mastócitos também cobrem as vias nasais, garganta, pulmões e pele. Qualquer bactéria ou vírus que queira entrar no seu corpo precisa primeiro passar por essas defesas.

Uma vez dentro do corpo, o germe enfrenta o sistema imunológico em um nível diferente. Os principais componentes do sistema imunológico são:

  • timo
  • baço
  • sistema linfático
  • medula óssea
  • células sangüíneas brancas
  • anticorpos
  • sistema complemento
  • hormônios

Vamos ver cada um desses componentes detalhadamente.

Sistema linfático

O sistema linfático é mais familiar para as pessoas porque os médicos e as mães com freqüência verificam se há “nódulos linfáticos aumentados” no pescoço. Os nódulos linfáticos são apenas uma parte de um sistema que se estende por todo o corpo através de caminhos muito parecidos com os dos vasos sangüíneos. A principal diferença entre o fluxo de sangue no sistema circulatório e o fluxo de linfa no sistema linfático é que o sangue é pressurizado pelo coração enquanto que o sistema linfático é passivo. Não há uma “bomba linfática” semelhante à “bomba sangüínea” (o coração). Os líquidos fluem lentamente para dentro do sistema linfático e são empurrados pelo movimento do corpo e dos músculos para os nódulos linfáticos. É algo parecido com os sistemas de água e esgoto em uma comunidade. A água é pressurizada ativamente enquanto que o esgoto é passivo e flui pela gravidade.

A linfa é um líquido claro que leva água e nutrientes para as células. A linfa é plasma sangüíneo -o líquido que forma o sangue sem as células vermelhas e brancas. Pense nisso – cada célula não tem seu próprio vaso sangüíneo particular para alimentá-la, mas precisa obter comida, água e oxigênio para sobreviver. O sangue transfere esses materiais para a linfa através das paredes capilares e a linfa os transporta até as células. As células também produzem proteínas e resíduos que a linfa absorve e transporta para longe. Qualquer bactéria aleatória que entre no corpo encontra seu caminho para dentro desse fluido intercelular. Uma das tarefas do sistema linfático é drenar e filtrar esses fluidos para detectar e remover as bactérias. Vasos linfáticos pequenos coletam o líquido e o levam em direção aos vasos maiores de modo que o fluido finalmente chegue aos nódulos linfáticos para o processamento.

Os nódulos linfáticos apresentam tecidos com a capacidade de filtragem e apresentam também uma grande quantidade de linfócitos. Quando estão combatendo certas infecções bacterianas, os nódulos linfáticos incham-se de bactérias e células que lutam contra estas bactérias, a ponto de você senti-los. Nódulos linfáticos inchados é um bom sinal, pois eles alertam você de que há algum tipo de infecção no seu corpo.
Após filtrada pelos nódulos linfáticos, a linfa entra novamente na corrente sanguínea.

Timo

O timo fica dentro do seu tórax, entre o esterno e o coração. É responsável pela produção de células T (veja a próxima seção) e é extremamente importante para os recém-nascidos – sem o timo o sistema imunológico entra em colapso e o bebê morre. O timo é menos importante para os adultos – se for preciso removê-lo o adulto sobreviverá porque outras partes do sistema imunológico conseguem lidar com a sobrecarga. Contudo, o timo é importante para a maturação das células T (como veremos na seção sobre as células sangüíneas brancas).

Baço
O baço filtra o sangue em busca de células estranhas (procura também células vermelhas velhas que precisam ser substituídas). Uma pessoa que perde o baço fica doente com mais freqüência.

Medula óssea
A medula óssea produz novas células sangüíneas, tanto vermelhas quanto brancas. As células vermelhas são formadas na medula e depois entram na corrente sangüínea. As células brancas amadurecem em algum outro lugar. A medula produz todas as células sangüíneas a partir de células tronco. São chamadas de “células tronco” porque podem transformar-se em tipos específicos de células sangüíneas – são precursoras de diferentes tipos de células.

Células sangüíneas brancas
As células brancas serão descritas detalhadamente na próxima seção.

Anticorpos

Os anticorpos (também chamados de imunoglobulinas e gamaglobulinas) são produzidos pelas células brancas. Eles são proteínas em forma de Y e cada um responde a um antígeno específico (bactéria, vírus ou toxina). Cada anticorpo tem uma região especial (nas pontas dos dois ramos do Y) que é sensível a um antígeno específico e se liga a ele de alguma maneira. Quando um anticorpo se liga a uma toxina, passa a chamar-se antitoxina. A ligação inibe, normalmente, a ação química da toxina. Quando um anticorpo se liga ao revestimento externo de uma partícula de vírus ou à parede celular de uma bactéria, interrompe sua ação ou pode se ligar ao invasor e sinalizar para o sistema complemento que tal invasor precisa ser removido.

Tipos de anticorpos:

  • imunoglobulina A (IgA)
  • imunoglobulina D (IgD)
  • imunoglobulina E (IgE)
  • imunoglobulina G (IgG)
  • imunoglobulina M (IgM)

Quando ler uma abreviatura do tipo IgE em um documento médico você saberá que eles estão falando de um anticorpo.

Sistema complemento

O sistema complemento, assim como os anticorpos, são uma série de proteínas. Há milhões de anticorpos diferentes na sua corrente sanguínea, cada um sensível a um antígeno específico. As proteínas no sistema complemento circulam livremente no sangue e são fabricados no fígado. As proteínas deste sistema são ativadas pelos anticorpos e trabalham com eles (os complementam), por isso o nome. Elas causam a lise (destruição) das células e sinalizam para os fagócitos que uma célula precisa ser removida.

Hormônios
Existem vários hormônios gerados pelos componentes do sistema imunológico. Esses hormônios são conhecidos como linfocinas. Sabe-se também que certos hormônios do corpo causam a supressão do sistema imunológico. Os esteróides e corticosteróides suprimem o sistema imunológico.

A timosina (produzida pelo timo) é um hormônio que encoraja a produção de linfócitos (um linfócito é um tipo de célula sangüínea branca – veja abaixo). As interleucinas são outro tipo de hormônio gerado pelas células brancas. Por exemplo, a interleucina-1 é produzida por macrófagos depois que eles fagocitam e digerem uma célula estranha. A IL-1 tem um efeito colateral interessante – quando atinge o hipotálamo ela produz febre e fadiga. Sabe-se, também, que a temperatura elevada na febre mata algumas bactérias.

Fator de necrose tumoral
O fator de necrose tumoral (FNT) é produzido pelos macrófagos. Ele destrói células tumorais e cria novos vasos sangüíneos sendo, assim, importante para a cicatrização.

Interferon
O interferon inibe os vírus e é produzido pela maioria das células do corpo. Os interferons, assim como os anticorpos e complementos, são proteínas, e sua tarefa é deixar que as células se comuniquem umas com as outras. Quando uma célula detecta o interferon em outras células, ela produz proteínas que ajudam a impedir que o vírus se reproduza.

Células sangüíneas brancas

Você sabe que existem “células vermelhas” e “células brancas” no sangue. As células sangüíneas são, na verdade, várias células diferentes que trabalham juntas para destruir bactérias e vírus e, por este motivo, são muito importantes para o sistema imunológico. Aqui estão todos os tipos, nomes e classificações das células brancas que estão trabalhando dentro do seu corpo neste momento:

  • leucócitos
  • linfócitos
  • monócitos
  • granulócitos
  • células B
  • células plasmáticas
  • células T
  • células T-Helper
  • células T-Killer
  • células T supressoras
  • células killer naturais
  • neutrófilos
  • eosinófilos
  • basófilos
  • fagócitos
  • macrófagos

Leucócitos

Aprender todos esses nomes diferentes e a função de cada tipo de célula requer um certo esforço, mas fará com que você compreenda um pouco melhor os artigos científicos. Fizemos um pequeno resumo dos diferentes tipos de células.

Todas as células sangüíneas brancas são conhecidas oficialmente como leucócitos. Elas não são como as células normais do corpo. Na verdade, agem como organismos vivos independentes e unicelulares capazes de se moverem e capturarem coisas por conta própria. As células brancas se comportam, de certo modo, como amebas em seus movimentos e são capazes de absorver outras células e bactérias. Algumas delas não podem se dividir e reproduzir por conta própria, porém, são produzidas pela medula óssea.

Os leucócitos são divididos em 3 classes:

  • granulócitos – os granulócitos constituem 50 a 60% de todos os leucócitos. Dividem-se em três classes: neutrófilos, eosinófilos e basófilos. Eles têm esse nome porque contêm grânulos com diferentes substâncias químicas, dependendo do tipo de célula;
  • linfócitos – os linfócitos constituem 30 a 40% de todos os leucócitos. Os linfócitos se dividem em dois subtipos principais: células B (aquelas que amadurecem dentro da medula óssea) e células T (aquelas que amadurecem no timo);
  • monócitos – os monócitos constituem até 7% de todos os leucócitos. Os monócitos se transformam em macrófagos.

Todas as células sangüíneas brancas começam na medula óssea como células tronco. As células tronco são células genéricas que podem se transformar em muitos tipos diferentes de leucócitos à medida que amadurecem. Por exemplo, é possível pegar um camundongo, irradiá-lo para incapacitar sua medula óssea de produzir novas células sangüíneas, e então injetar células tronco na corrente sangüínea. As células tronco se dividirão e se transformarão em todos os tipos diferentes de células sangüíneas brancas. Um “transplante de medula óssea” é simples: injeta células tronco de um doador dentro da corrente sangüínea. As células tronco encontram seu caminho, de forma quase mágica, para dentro da medula e fazem dela seu lar.

Papéis diferentes

Cada tipo diferente de célula sangüínea branca tem um papel especial no sistema imunológico, e muitas são capazes de se transformar de modos diferentes. As descrições a seguir ajudam a compreender os papéis das diferentes células.

  • Neutrófilos – são a forma mais comum de célula sangüínea branca que você tem no corpo. A medula óssea produz trilhões deles a cada dia e os libera na corrente sangüínea, mas eles têm vida curta – geralmente vivem menos de um dia. Uma vez na corrente sangüínea os neutrófilos podem passar através das paredes capilares para dentro dos tecidos. Os neutrófilos são atraídos por qualquer material estranho, inflamação ou bactéria. Se você é espetado por uma farpa ou se corta, os neutrófilos serão atraídos por um processo chamado quimiotaxia, muitos organismos unicelulares usam esse mesmo processo. A quimiotaxia deixa as células móveis se deslocarem em direção às concentrações mais altas de uma substância química. Assim que o neutrófilo encontra uma partícula estranha ou uma bactéria, ele a absorve e libera enzimas como o peróxido de hidrogênio e outras substâncias químicas dos seus grânulos para matar as bactérias. Em um local onde haja uma infecção grave (onde muitas bactérias se reproduziram na área), forma-se pus. O pus é feito de neutrófilos mortos e outros resíduos celulares.
  • Eosinófilos e basófilos – são menos comuns do que os neutrófilos. Os eosinófilos eliminam os parasitas da pele e dos pulmões, enquanto que os basófilos (junto com os mastócitos) liberam a histamina para causar a inflamação. Do ponto de vista do sistema imunológico a inflamação é uma coisa boa. Ela traz para o local mais sangue e dilata as paredes dos capilares para que mais células do sistema imunológico possam chegar ao local da infecção.
  • Macrófagos – são as maiores (e daí o nome “macro”) de todas as células sangüíneas. Os monócitos são liberados pela medula óssea, circulam na corrente sangüínea, entram no tecido e se transformam em macrófagos. A maior parte dos tecidos do corpo tem seus próprios macrófagos. Os macrófagos alveolares vivem nos pulmões e os mantêm limpos (ingerindo partículas estranhas como fumaça e poeira) e livres de doenças (ingerindo bactérias e micróbios). Os macrófagos são chamados de células de Langerhans quando vivem na pele. Os macrófagos também circulam livremente. Uma das suas tarefas é remover neutrófilos mortos, os macrófagos limpam o pus, por exemplo, como parte do processo de regeneração.
  • Linfócitos - eliminam a maior parte das infecções bacterianas e virais que apanhamos. Os linfócitos têm origem na medula óssea. Aqueles destinados a se transformar em células B se desenvolvem na medula óssea antes de entrar na corrente sangüínea. As células T começam a se formar na medula, mas migram através da corrente sangüínea para o timo e amadurecem lá. As células T e B são geralmente encontradas na corrente sangüínea mas tendem a se concentrar em tecidos linfáticos tais como os nódulos linfáticos, timo e baço. Há também uma boa quantidade de tecido linfático no sistema digestivo. As células B e  T têm funções diferentes.
  • Células B - quando estimuladas, amadurecem como células plasmáticas que são as células que produzem os anticorpos. Uma célula B específica é direcionada para um germe específico e quando o germe está presente no corpo a célula B clona-se e produz milhões de anticorpos para eliminar o germe.
  • Células T - por outro lado, vão realmente para cima das células e as matam. Conhecidas como células T killer podem detectar células do corpo que estejam alojando vírus e, quando isso acontece, matam essas células. Dois outros tipos de células T, conhecidas como células T helper e supressora, ajudam a ativar as células T killer e controlam a resposta imunológica.

Células T

As células T helper são muito importantes e interessantes. Elas são ativadas pela interleucina-1, produzida pelos macrófagos. Depois de ativadas as células T helper produzem interleucina-2, interferon e outras substâncias. Essas substâncias ativam as células B para que produzam anticorpos. A complexidade e nível de interação entre os neutrófilos, macrófagos, células T e células B é realmente impressionante.

Por serem tão importantes para o sistema imunológico, as células brancas são usadas para medir a saúde do sistema imunológico. Quando você ouve dizer que alguém tem um “sistema imunológico forte” ou um “sistema imunológico fraco”, é porque isto foi observado através da contagem de diferentes tipos de células brancas em uma amostra de sangue. Uma contagem normal de células brancas fica na faixa de 4 mil a 11 mil células por microlitro de sangue. Uma proporção de 1,8 a 2,0 células T helper por célula T supressora é normal. Uma contagem normal absoluta de neutrófilos (CAN) fica na faixa de 1.500 a 8 mil células por microlitro.

Perguntas importantes sobre as células brancas e sobre muitas outras partes do sistema imunológico são: “como uma célula sangüínea branca sabe o que deve atacar e o que deve deixar passar?”, “Por que uma célula sangüínea branca não ataca todas as células do corpo?” Existe um sistema construído dentro de todas as células do corpo chamado de Complexo Principal de Histocompatibilidade (CPH) (também conhecido como HLA, ou human leukocyte antigen) que marca as células do seu corpo como “você”. Qualquer coisa que o sistema imunológico encontre e não tenha essas marcas (ou que tenha marcas erradas) definitivamente não faz parte de você e é, portanto, algo a ser destruído. A Enciclopédia Britânica diz o seguinte sobre o CPH:

“Há dois tipos principais de moléculas protéicas de CPH, classe I e classe II, que se estendem pela membrana de quase todas as células em um organismo. Em seres humanos essas moléculas são codificadas por vários genes, todos agrupados na mesma região no cromossomo 6. Cada gene tem um número não usual de alelos (formas alternativas de um gene). Consequentemente, é muito raro que dois indivíduos tenham o mesmo conjunto de moléculas CPH, que é chamado de tipo de tecido.

As moléculas CPH são componentes importantes da resposta imunológica. Elas permitem que células que foram invadidas por um organismo infeccioso sejam detectadas pelas células do sistema imunológico chamadas de linfócitos T, ou células T. As moléculas CPH fazem isso mostrando fragmentos de proteínas (peptídeos) pertencentes ao invasor que está na superfície da célula. A célula T reconhece o peptídeo estranho preso à molécula CPH e liga-se a ele, uma ação que estimula a célula T a destruir ou curar a célula infectada. Em células saudáveis não infectadas, a molécula CPH apresenta peptídeos da sua própria célula (autopeptídeos), para os quais as células T normalmente não reagem. Contudo, se o mecanismo imunológico não funciona direito e as células T reagem contra os autopeptídeos, surge uma doença auto-imune”.

Vacinação

Existem algumas doenças que que se manifestam somente uma vez, como no caso do sarampo e da catapora. O que acontece com essas doenças é que elas entram no corpo e os vírus começam a se reproduzir. O sistema imunológico se empenha em eliminá-las. No corpo você já tem células B que podem reconhecer o vírus e produzir anticorpos para ele. Contudo, há apenas poucas dessas células para cada anticorpo. Assim que uma doença em particular é identificada por essas poucas células B específicas, as células B se transformam em células plasmáticas, são clonadas e começam a liberar anticorpos. Esse processo leva tempo mas a doença segue seu curso e por fim é eliminada. Contudo, enquanto está sendo eliminada, outras células B para a doença clonam-se mas não geram anticorpos. Esse segundo grupo de células B permanece no seu corpo durante anos, de modo que quando a doença reaparecer, o corpo será capaz de eliminá-la imediatamente.

A vacina é uma forma enfraquecida da doença. Pode ser uma forma diferente da doença ou uma variedade similar, porém menos virulenta. Uma vez dentro do seu corpo o sistema imunológico monta a mesma defesa, mas como a doença é diferente ou mais fraca, os sintomas que aparecem são poucos ou nenhum. Depois da vacina, quando a doença real invadir teu corpo ela será eliminada imediatamente.

Existem vacinas para todos os tipos de doenças, tanto virais quanto bacterianas, como por exemplo sarampo, caxumba, coqueluche, tuberculose, varíola, pólio, febre tifóide, etc.

Contudo, muitas doenças não podem ser curadas através de vacinas. O resfriado comum e a gripe são dois exemplos. Essas doenças sofrem rápidas mutações ou têm tantas linhagens (variedades) diferentes no ambiente que é impossível injetar todas elas no seu corpo. Cada vez que você fica resfriado, por exemplo, está pegando uma linhagem diferente da mesma doença.

Aids

Aids (Acquired Immune Deficiency Syndrome ou Síndrome de Imunodeficiência Adquirida) é uma doença causada pelo HIV (o vírus da imunodeficiência humana). Para o sistema imunológico, essa é uma doença particularmente problemática, porque o vírus o ataca diretamente.

O vírus da Aids se reproduz dentro das células T helper, matando-as. Sem as células T helper para orquestrar as coisas, o sistema imunológico acaba entrando em colapso, e a vítima morre de alguma outra infecção que o sistema imunológico conseguiria normalmente combater.

Como funcionam os antibióticos

Às vezes, o seu sistema imunológico não é capaz de reagir rápido o suficiente para vencer a taxa de reprodução de uma certa bactéria, ou a bactéria está produzindo tão rapidamente uma toxina que causa danos permanentes, antes que o sistema imunológico possa eliminá-la. Nesses casos, seria bom ajudar o sistema imunológico matando diretamente as bactérias ofensoras.

Os antibióticos funcionam nas infecções bacterianas. Antibióticos são substâncias químicas que matam as células bacterianas mas não afetam as células que constituem o teu corpo. Por exemplo, muitos antibióticos interrompem o mecanismo dentro das células bacterianas que constrói a parede celular. As células humanas não contêm esse mecanismo e portanto não são afetadas. Antibióticos diferentes funcionam em partes diferentes do mecanismo de uma bactéria e desse modo cada um é mais ou menos efetivo em tipos específicos de bactérias. Esta espeficidade pode ser vista no uso de antibióticos contra os vírus; além de não serem considerados propriamente estruturas vivas, os vírus  não possuem o mesmo maquinário que as bactérias, logo, os antibióticos não surtem efeito algum contra eles.

Um problema com os antibióticos é que eles perdem a efetividade com o tempo. Se você tomar um antibiótico, ele normalmente matará todas as bactérias que atingir durante o curso de uma semana ou 10 dias. Você se sentirá melhor em apenas um ou dois dias porque o antibiótico mata rapidamente a maioria das bactérias que atinge. Contudo, pode acontecer de uma das gerações de bactérias conter uma mutação que a torna capaz de sobreviver àquele antibiótico específico. Essa bactéria vai então se reproduzir e toda a doença sofrerá mutação. Por fim, a nova variedade estará infectando a todos e o velho antibiótico não terá efeito sobre ela. Esse processo tem se tornado cada vez mais comum com o passar do tempo e tem preocupado significativamente a comunidade médica.

Enganos do sistema imunológico

Às vezes o sistema imunológico se engana. Um tipo de engano é chamado de auto-imunidade: o sistema imunológico, por alguma razão, ataca o próprio corpo do mesmo modo que normalmente atacaria um germe. Duas doenças comuns são causadas pelos enganos do sistema imunológico: a diabete juvenil e a artrite reumatóide. A primeira ocorre porque o sistema imunológico ataca e elimina as células do pâncreas que produzem insulina. A artrite reumatóide acontece quando o sistema imunológico ataca os tecidos dentro das articulações.

As alergias são outra forma de erro do sistema imunológico. Por alguma razão, nas pessoas com alergia o sistema imunológico reage fortemente a um alérgeno que deveria ter sido ignorado. O alérgeno pode ser uma certa comida, um tipo de pólen ou um certo tipo de pêlo de animal. Uma pessoa alérgica a certo pólen ficará com o nariz escorrendo, olhos lacrimejando, espirrando, etc. Essa reação é causada pelos mastócitos nas vias nasais. Na reação ao pólen, os mastócitos liberam histamina, que tem o efeito de causar inflamação, o que permite que circule líquido dos vasos sangüíneos. A histamina também causa coceira. Para eliminar esses sintomas a droga escolhida é, obviamente, um anti-histamínico.

O último exemplo de engano do sistema imunológico é o seu efeito no tecido transplantado. Esse não é realmente um engano, mas torna os transplantes de órgãos e tecidos quase impossíveis. Quando o tecido estranho é colocado dentro do corpo, suas células não contêm a identificação correta. O sistema imunológico, portanto, ataca o tecido. O problema não pode ser evitado, mas pode ser diminuído combinando cuidadosamente o tecido doador com o do receptor e usando drogas imunossupressoras para tentar impedir uma reação do sistema imunológico. Obviamente, suprimindo o sistema imunológico essas drogas facilitam o aparecimento de infecções oportunistas.

Fonte: http://saude.hsw.uol.com.br/sistema-imunologico.htm