O carcinoma é o tipo de câncer mais comum nos seres humanos, podendo surgir em praticamente todos os tecidos do nosso corpo. Chamamos de carcinoma o câncer que se origina de um tecido epitelial, ou seja, o tecido que recobre nossa pele e a maioria dos nossos órgãos.

Neste texto vamos explicar os seguintes pontos sobre o carcinoma:

  • O que é uma célula epitelial.
  • O que é câncer.
  • O que é o carcinoma.
  • O que é um adenocarcinoma.
  • O que é carcinoma in situ.
  • Prognóstico e tratamento dos carcinomas.

O que é uma célula epitelial?

Como o carcinoma surge de uma célula epitelial, é importante entender um pouco o que são estas células.

O corpo humano é composto por basicamente quatro tipos de tecidos:

- Tecido conjuntivo.
- Tecido nervoso.
- Tecido muscular.
- Tecido epitelial.

O tecido epitelial, formado por células epiteliais, está distribuído difusamente pelo nosso organismo, pois ele é o responsável pelo revestimento da nossa pele é órgãos. O tecido epitelial é como se fosse uma capa que recobre e protege nossos órgãos. A camada mais superficial da pele, chamada de epiderme, é composta apenas por células epiteliais.

Existem vários tipos diferentes de células epiteliais, várias delas com outras funções que não apenas revestir e proteger órgãos. Por exemplo, no tecido epitelial dos intestinos há células epiteliais com capacidade de absorver nutrientes; na boca há células epiteliais com capacidade de reconhecer sabores; o mesmo ocorre no revestimento interno do nariz, onde células neuroepiteliais reconhecem odores.

Há também células epiteliais que possuem glândulas, sendo capazes de secretar substâncias, como saliva na boca (glândulas salivares), gordura e suor na pele (glândulas sebáceas e sudoríparas), leite nas mamas (glândulas mamárias) e ácido no estômago (células parietais).

Portanto, cada órgão, incluindo a pele, tem o seu tecido epitelial próprio, muitas vezes compostos por mais de um tipo de célula epitelial, cada uma com uma função diferente no organismo.

O que é um câncer?

Todas as células do nosso têm um tempo de vida útil, sendo destruídas quando se tornam velhas ou quando sofrem lesões irreparáveis da sua estrutura. Nosso organismo é programado para que apenas células sadias sobrevivam. Se alguma célula sofre alteração do seu DNA, ela automaticamente se destrói, em um processo chamado de apoptose. A apoptose é um mecanismo de defesa que a natureza desenvolveu para evitar que células com DNA comprometido se multipliquem.

Nós temos genes, chamados  proto-oncogenes, cuja função é controlar o processo de apoptose e impedir o aparecimento de células cancerígenas. Você pode não saber, mas o tempo todo surgem no seu corpo células com potencial cancerígeno, que não se transformam em câncer por causa dos mecanismos de defesa que o organismo possui.

O câncer de pele, por exemplo, surge quando uma célula do epitélio da pele, após prolongada exposição solar, sofre uma mutação do seu DNA devido às ações deletérias dos raios ultravioleta. Se o mecanismo de apoptose não funcionar, a célula mutante não será eliminada e passará a agir por conta própria, fazendo coisas que uma célula normal da pele não faz, como formar novos tecidos, invadir outros órgãos, crescer e se multiplicar de forma descontrolada.

O que é um carcinoma?

O carcinoma é o tipo de câncer que surge quando uma célula epitelial qualquer sofre transformação maligna. Por exemplo, se a célula que sofreu mutação é uma célula epitelial do rim, o câncer que surge dela é o carcinoma de células renais; se a origem do câncer for a célula epitelial do fígado, conhecida como hepatócito, o câncer se chamará hepatocarcinoma.

Nem todo carcinoma tem sua origem facilmente reconhecida. Alguns deles sofrem uma mutação tão grande, que perdem totalmente as características da célula original. O patologista consegue reconhecer que o tumor veio de um epitélio, mas de qual é impossível afirmar. Estes tipo de célula maligna recebe o nome de carcinoma indiferenciado ou carcinoma anaplásico.

Um mesmo órgão pode ter mais de um tipo de carcinoma e mais de um tipo de câncer. Por exemplo, dos três cânceres mais comuns de pele, dois são carcinomas (carcinoma basocelular e carcinoma espinocelular) e uma não é carcinoma (melanoma). Já no câncer de pulmão, os quatro tipos mais comuns de câncer são todos originados de células epiteliais: carcinoma de pequenas células do pulmão, carcinoma epidermoide do pulmão, adenocarcinoma do pulmão e carcinoma de grandes células do pulmão.

O que é um adenocarcinoma?

Se o câncer surge de um tecido epitelial que contém glândulas, como o estômago, cólon, pâncreas, próstata ou mama, o carcinoma é chamado de adenocarcinoma (adeno = pertence a uma glândula).

Na mama, o adenocarcinoma é o tipo mais comum de câncer, correspondendo a mais de 90% dos casos. O adenocarcinoma da mama é dividido em dois grupos:

- Carcinoma ductal da mama, quando a origem do câncer são os ductos que transportam o leite.
- Carcinoma lobular da mama, quando a origem do câncer são os bulbos, pequenos sacos que armazena o leite.

Os carcinomas e adenocarcinomas mais comuns são os da pele, próstata, pulmão, mama, cólon, útero, fígado, rins e pâncreas.

Carcinoma in situ
Carcinoma in situ
Carcinoma in situ

O carcinoma in situ é a forma mais precoce de câncer, quando as células tumorais ainda estão restritas ao local de sua origem, não havendo invasão de estruturas próximas, nem disseminação da doença pelo sangue (não há  metástases). Para tratar o carcinoma in situ basta retirar cirurgicamente o tumor, pois todas as células malignas estarão restritas a este pedaço de tecido removido.

Prognóstico e tratamento dos carcinomas

Os vários tipos de carcinomas são cânceres muito diferentes entre si. De comum, apenas a origem em um tecido epitelial. Somente a informação de um câncer ser um carcinoma não é suficiente para determinar a agressividade, o prognóstico e o tipo de tratamento ideal.

Alguns carcinomas são muito agressivos, como o carcinoma do pâncreas ou os carcinomas do pulmão; outros são de evolução mais lenta, como o carcinoma da próstata ou o carcinoma basocelular da pele.

Cada carcinoma tem que ser avaliado individualmente, levando-se em cota sua agressividade e o estágio no qual o tumor se encontra no momento do diagnóstico. Um carcinoma in situ tem excelente prognóstico, enquanto a maioria dos carcinomas diagnosticados após já existirem metástases, apresentam mau prognóstico e sobrevida curta.

Fonte: MD Saúde